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Enquanto novas gerações diversificam e se aproximam do mercado financeiro, mais velhos ainda enfrentam dificuldades básicas para guardar dinheiro

Enquanto novas gerações diversificam e se aproximam do mercado financeiro, mais velhos ainda enfrentam dificuldades básicas para guardar dinheiro

O Brasil vive uma mudança silenciosa e profunda na forma como diferentes gerações lidam com dinheiro. Dados recentes do Raio X do Investidor Brasileiro, estudo da ANBIMA em parceria com o Datafolha, mostram que os jovens estão investindo de forma mais diversificada e estruturada, enquanto os mais velhos seguem mais vulneráveis financeiramente. A diferença não é apenas de comportamento, mas de preparo para o futuro.

O recorte geracional da pesquisa evidencia uma quebra de padrão importante. Entre os mais jovens, como Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010), há maior diversificação de carteira e presença mais consistente de reserva de emergência, já entre os Boomers (pessoas nascidas entre 1946 e 1964), o cenário é mais crítico: 65% não utilizam ou não conhecem nenhum produto de investimento. 

O estudo reforça ainda que o país segue com desafios estruturais: apenas 36% da população brasileira é considerada investidora, enquanto a maioria, 64%, ainda está fora do mercado financeiro. Outro dado significativo, além de alarmante, é o fato de que entre os mais velhos, 62% afirmam não guardar dinheiro de forma alguma.

Para especialistas do mercado, o dado mais preocupante não é apenas a diferença entre gerações, mas o impacto disso no longo prazo.

“Estamos diante de uma inversão relevante. Tradicionalmente, esperaríamos que as gerações mais velhas estivessem mais preparadas financeiramente, mas o que os dados mostram é o contrário: elas são hoje as mais vulneráveis. Isso acende um alerta importante sobre planejamento de longo prazo no Brasil”, afirma Hugo Cirne, líder da XP na Paraíba.

Segundo o executivo, o avanço dos jovens é positivo, mas não resolve o problema estrutural. “Os jovens estão mais conectados, têm mais acesso à informação e já começam a investir de forma mais diversificada. Mas isso não significa que estão totalmente preparados. O grande ponto é usar esse movimento para acelerar a educação financeira em todas as idades, especialmente entre quem está mais próximo da aposentadoria”, diz.

Ele destaca ainda que a troca entre gerações pode ser um caminho estratégico. “Existe uma oportunidade clara de aprendizado mútuo. Os mais jovens podem aprender sobre disciplina e visão de longo prazo, enquanto os mais velhos podem se beneficiar da diversificação e do conhecimento sobre o uso de novas ferramentas. Quando essa troca acontece dentro das famílias, o impacto é muito poderoso.” 

A pesquisa também mostra que o planejamento de longo prazo ainda é limitado no país: apenas 16% da população começou a guardar dinheiro para a aposentadoria.

Na prática, isso significa que milhões de brasileiros podem chegar à velhice com dependência quase exclusiva da previdência pública, reforçando um ciclo de vulnerabilidade financeira.

A quebra de padrão geracional no comportamento financeiro não é apenas um retrato do presente, é um sinal claro dos desafios que o Brasil enfrentará no futuro. Reduzir essa distância entre gerações, ampliando o acesso à informação e incentivando o planejamento, será determinante para construir uma população mais preparada e menos vulnerável financeiramente.

A troca entre gerações é uma estratégia pouco explorada e muito poderosa

A troca entre gerações pode acelerar o aprendizado financeiro dentro das famílias. Segundo Renato Sarreta, essa colaboração permite unir o melhor de cada faixa etária: os mais jovens, por exemplo, contribuem com maior familiaridade com plataformas digitais e acesso à informação, facilitando o primeiro contato de pais e avós com o universo dos investimentos. Já as gerações mais velhas trazem uma bagagem importante de disciplina, experiência e controle de gastos, fundamentos essenciais para sustentar qualquer estratégia ao longo do tempo. 

Quando esse diálogo acontece de forma aberta, o planejamento conjunto se torna mais eficiente, tornando decisões relacionadas à aposentadoria, sucessão e investimentos mais estruturadas e menos arriscadas. Na prática, esse “intercâmbio” cria um efeito multiplicador, fortalecendo a educação financeira dentro de casa e contribuindo para a construção de uma cultura mais sólida e duradoura entre gerações.

Para Hugo, o cenário exige ação prática de como diferentes gerações podem se preparar melhor financeiramente:

1. Começar pelo básico e o quanto antes: Independentemente da idade, o primeiro passo é simples: organizar o orçamento, fazer o planejamento financeiro e começar a investir.

2. Construir uma reserva de emergência: A reserva de emergência é o alicerce da vida financeira. Ela evita que imprevistos virem dívidas e permite que o investidor pense no longo prazo com mais tranquilidade.

3. Disciplina e foco no longo prazo: Investir não é sobre ganhar rápido, é sobre construir patrimônio, e isso demanda consistência ao longo do tempo. Produtos como renda fixa, fundos e previdência ajudam a dar previsibilidade e consistência ao planejamento.

4. Pensar no longo prazo desde cedo: O tempo é o maior aliado do investidor. Quem começa antes, mesmo com pouco, se beneficia dos juros compostos e chega mais preparado no futuro.

5. Diversificar para reduzir riscos: A diversificação protege o patrimônio. Os jovens já avançam nesse ponto, mas é importante que todas as gerações entendam que não se deve concentrar recursos em um único tipo de investimento.

6. Incluir a aposentadoria no planejamento: Adiar o planejamento da aposentadoria é um dos maiores erros. Não dá para depender exclusivamente da previdência pública, é preciso construir uma estratégia complementar.

“Além dos investimentos tradicionais, produtos de previdência privada, como PGBL e VGBL, também podem funcionar como ferramentas complementares no planejamento de longo prazo. As modalidades permitem acumular recursos ao longo do tempo com foco na aposentadoria e podem oferecer benefícios tributários, dependendo do perfil e da forma de declaração do Imposto de Renda. A escolha entre um modelo e outro deve considerar fatores como renda, objetivo financeiro e estratégia sucessória”, afirma o especialista.

 

Sobre a XP

A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas, promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade. Desde então, o Grupo XP lidera uma disrupção no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e banking, no Brasil e no exterior. Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência em servir o cliente como a principal alavanca de crescimento. Esse compromisso com a qualidade já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita oito vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação “O Melhor de São Paulo”, realizada pela Folha de S. Paulo. Saiba mais em www.xp.com.br

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